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Objetivos e valores do Karatê Tradicional

O objetivo do Karatê Tradicional é desenvolver mente e corpo em estado de equilíbrio, através da formação em técnicas de combate. O Karatê Tradicional também compartilha com o objetivo último do Budo, que é cultivar o grande caráter humano de classe superior que impede que qualquer ataque violento ocorra antes de uma luta real.

O Budo se origina na prática da luta física; porém, tem um efeito significativo no desenvolvimento espiritual e físico de um ser humano já que a filosofia e ética Budo são requisitos absolutos para o estudo de técnicas e aperfeiçoamento das habilidades. Elementos como etiqueta e maneiras não foram adaptadas a partir de elementos externos, nem são independentes do treinamento físico, mas existiam dentro do sistema desde a origem do Budo, e foram integrados para o aprimoramento técnico.

O treino de Karatê


O treino de Karatê pode ser dividido em três partes principais: Kihon, Kata e Kumite.

• O Kihon (fundamentos, em japonês) é a prática das técnicas básicas. É nessa hora que o karateca deve fazer correções da sua base, e melhorar sua técnica, força e velocidade.

• Os Katas (forma) são sequências pré-determinadas de movimentos. Cada Kata reúne técnicas básicas e, alguns deles, avançadas de defesas e ataques contra múltiplos adversários imaginários. Sua execução requer, principalmente, vigor nos movimentos, concentração, postura, respiração apropriada e compreensão dos movimentos executados (aplicação da técnica).


• Já o Kumite (encontro de mãos, ou combate) é a luta propriamente dita. Ao contrário do Kihon e do Kata, que são praticados individualmente, no Kumite treina-se com um companheiro. Para que o praticante possa se desenvolver na luta, os companheiros devem criar uma certa dificuldade para o outro no momento do Kumite, observando sempre a graduação (estágio de aprendizado).

Hidetaka Nishiyama


Hidetaka Nishiyama (10 de outubro de 1928 - 7 de Novembro de 2008) era um mestre de Karate Tradicional, 10º Dan e presidente da International Traditional Karate Federation - ITKF.

Em 1943 começou a estudar com Gichin Funakoshi, pai do Karatê moderno e responsável pela escola Shotokan.

Em 1951, obtém o título de mestre em economia na universidade de Takushoku e torna-se um dos fundadores da Japan Karate Association (JKA), tendo sido convidado no ano seguinte a treinar as forças especiais Americanas do Strategic Air Command.

Em 1960 publica o livro Karate: The Art of Empty-Hand Fighting que se encontra presentemente na sua 70ª edição (2000 cópias do edição) sendo considerado um clássico e o livro de Karate mais vendido da história.

Em julho de 1961 muda-se definitivamente para os Estados Unidos da América e funda a All American Karate Federation (AAKF).

Em 3 de novembro de 2000, o imperador do Japão concedeu-lhe a Ordem do Tesouro Sagrado, numa cerimônia do palácio imperial, em Tóquio.


Continuava a ensinar Karate por todo o mundo, tendo o seu próprio dojo em Los Angeles, Califórnia. Era uma das mais respeitadas personalidades do mundo do Karate e continuava ainda hoje a sua luta pelo reconhecimento do Karatê Tradicional enquanto desporto olímpico.

Primeiras divulgações abertas do Karatê


Em 1902, durante a visita de Shintaro Ogawa, que era então inspetor escolar da prefeitura de Kagoshima, à escola de Funakoshi em Oquinaua, foi feita uma demonstração de te. Funakoshi impressionou bastante devido ao seu status de educador, ficando Ogawa tão entusiasmado que súbito escreveu um relatório ao Ministério da Educação elogiando as virtudes da arte. Foi então que o treinamento de caratê passou a ser oficialmente autorizado nas escolas.

Até então a arte marcial só era praticado atrás de portas fechadas, o que, no entanto não significava que fosse um "segredo", porém havia certos mestres que procuravam manter seu conhecimento velado e dentro principalmente de suas famílias e/ou dentro de um seleto e miúdo grupo.

Ou seja, posto que não fosse um segredo a existência do caratê, mestres existiam que relutavam em ensinar ao público em geral e outros que procuravam impedir que outros mestres o fizessem. Por outro lado, as casas eram tipicamente muito próximas umas das outras, e tudo que era feito numa casa era conhecido pelas casas adjacentes. Enquanto muitos autores pregam o caratê como sendo um segredo àquela época, não era exatamente isso o que se encontrava na prática. O caratê era "oficiosamente" secreto...

Contra os pedidos de muitos dos mestres mais antigo, que não eram a favor da divulgação da arte, Funakoshi, com o apoio de outros renomados mestres, como Kenwa Mabuni, Hironori Otsuka, Takeshi Shimoda, Choki Motobu e outros, levou a disciplina até o sistema público de ensino, mas principalmente com a ajuda de seu mestre Itosu. Logo, as crianças de Oquinaua estavam aprendendo os kata como parte das aulas de educação física. E, nesse meio-tempo, a redescoberta da herança étnica em Oquinaua entrou em voga, e as aulas de caratê passaram ser bastante apreciadas.

Alguns anos depois, o Almirante Rokuro Yashiro assistiu a uma demonstração de kata. Essa demonstração foi feita por Funakoshi junto com uma equipe composta por seus melhores alunos. Enquanto ele narrava, os outros executavam kata, quebravam telhas, e geralmente chegavam ao limite de seus pequenos corpos. Yashiro ficou tão impressionado que ordenou a seus homens que iniciassem o aprendizado na arte.

Funakoshi sempre enfatizava o desenvolvimento do caráter e a disciplina nas suas narrações durante essas demonstrações. Quando participava das exibições, gostava de executar o kata kanku dai, o maior de seu estilo, e talvez o mais representativo.

Em 1912, a Primeira Esquadra Imperial da Marinha ancorou na Baía de Chujo, sob o comando do Almirante Dewa, que selecionou doze homens da sua tripulação para estudarem caratê durante uma semana.


Foram graças a esses dois oficiais da Marinha que o caratê começou a ser comentado em Tóquio. Os japoneses que viam essas demonstrações levavam as estórias consigo quando voltavam ao Japão. Pela primeira vez na sua história, o Japão acharia algo na sua pequena possessão de Oquinaua além de praias bonitas e o ar puro.

Gichin Funakoshi.



Gichin Funakoshi foi um mestre de Okinawa-te, nascido em Oquinaua no ano de 1868. Foi o principal divulgador da arte marcial pelo arquipélago japonês. Deixou como legado, além do caratê mundialmente conhecido, dois estilos, Shotokan e Shotokai. Seu falecimento deu-se m 1957, evento depois do qual, apesar dos grandes esforços despendidos, marcou ainda mais a fragmentação de sua arte marcial.

Gichin Funakoshi nasceu no atual distrito de Shuri, da prinvíncia de Oquinaua, em 1868, o mesmo ano da Restauração Meiji, quando o Reino de Ryukyu foi finalmente incorporado ao Império nipónico. Contra a manobra japonesa insurgiu-se formalmente a China, mas o processo se consolidou.
Naquele conturbado ambiente político, crescia Funakoshi, que era filho único e logo após seu nascimento foi levado para a casa dos avós maternos, onde foi educado e aprendeu poesia clássica chinesa. Algum tempo depois ele começou a frequentar a escola primária, onde conheceu outro garoto de quem ficou muito amigo. Esse garoto era filho de Yasutsune Asato, um dois maiores especialistas de Oquinaua na arte do caratê (à época ainda conhecido por tode ou Okinawa-te) e membro de uma das mais respeitadas famílias. Logo, Funakoshi começou a tomar suas primeiras lições.
Como na época ainda, a prática de artes marciais do vetusto reino não eram muito bem vistas na região, os treinos eram realizados à noite, no quintal da casa de mestre Asato, onde se aprendia a socar, chutar e mover-se conforme os métodos praticados naqueles dias. O treinamento era muito rigoroso. O Mestre Asato tinha uma filosofia de treinamento que se chamava hito kata san nen, ou seja, “um kata em três anos”. Funakoshi estudava cada kata a fundo e, só então quando autorizado pelo seu mestre, seguia para o próximo...
Enquanto praticava no quintal de Asato com outros jovens, outro reconhecido mestre de caratê, Anko Itosu, amigo de Asato, aparecia e os observava treinando os kata, quando aproveitava para fazer comentários sobre suas técnicas. Era uma rotina dura que terminava sempre de madrugada sob a disciplina rígida de mestre Asato, do qual o melhor elogio se limitava a uma única palavra: "Bom!". Após os treinos, já quase ao amanhecer, Asato falava sobre a essência do caratê.

Após vários anos, os treinos dedicados deram grande contribuição para a saúde de Funakoshi, que fora uma criança muito frágil e doentia. Ele gostava muito da rotina de treinamento, mas como não pensava que pudesse fazer dele uma profissão, inscreveu-se e foi aceito como professor de uma escola primária em 1888, aos 21 anos, aproveitando toda a cultura adquirida desde a infância quando seus avós lhe ensinavam os Clássicos Chineses. Esta deveria ser sua carreira a partir de então.